Evento homenageou 11 mulheres na noite desta quarta-feira (23).
A 9ª edição da Medalha Tereza de Benguela aconteceu na noite desta quarta-feira (23), no Teatro Procópio Ferreira, em Guarujá, e foi marcada por muita emoção, samba e capoeira. A iniciativa reconheceu 11 mulheres da Cidade que se destacam na luta por igualdade, justiça e valorização da cultura afrobrasileira, em evento que remete ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, comemorado em 25 de julho no Brasil, instituído pela Lei n° 12.987/2014.
Na ocasião, a bateria do Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Mocidade Amazonense se apresentou, levando muita alegria e representatividade a esse momento tão significativo para a luta do movimento negro. Além disso, o Centro Cultural Herança de Palmares Omo Oba Zumbi fez uma apresentação de capoeira aos presentes, exaltando duas das grandes heranças culturais trazidas pelos africanos ao Brasil.
A professora aposentada Marli do Nascimento Florêncio, de 68 anos, foi uma das homenageadas e comemorou a honraria: “Tereza de Benguela tinha autonomia, autoridade e compromisso com a causa, o que vai ao encontro da minha profissão de professora, pois para uma sociedade ter sucesso, precisa de educação, muitas lutas e também seguir o legado de Benguela, que é acreditar nas suas verdades e colocá-las em prática”, revela.
Além de Marli, as homenageadas desta edição foram as aposentadas Benedita dos Santos Reis e Elizete Santos da Silva; a professora Célia de Oliveira Lima; a vendedora Jaqueline de Jesus Duarte; a empreendedora Mariana Vitória Gomes dos Santos; a coordenadora de RH Michelli Barreto Dias Silva; a assistente social Rebeca Pires dos Santos de Oliveira; a advogada Roseli Aparecida Costa Veiga de Morais; a doméstica Vânia Regina de Oliveira Lucas e a enfermeira Thais Alves Santos.
A organização foi da Prefeitura de Guarujá, por intermédio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuci). “A iniciativa ressalta o compromisso do governo em apoiar as políticas públicas dos conselhos, garantindo que a sociedade civil seja a protagonista na construção de melhorias significativas para as comunidades”, ressalta o gestor de Políticas Públicas da Promoção da Igualdade Racial de Guarujá.
Segundo ele, a entrega da Medalha Tereza de Benguela é um reconhecimento justo àquelas que pavimentam o caminho para um futuro mais equitativo e justo em nossa cidade.
Sobre Tereza de Benguela
Embora seu local exato de nascimento seja incerto, sabe-se que essa mulher quilombola marcou a história ao liderar, por cerca de duas décadas, uma comunidade de negros e indígenas às margens do rio Guaporé, na então Capitania de Mato Grosso.
Tereza, que havia fugido da escravidão, uniu-se a José Piolho, o então chefe do quilombo. Após a morte de Piolho na década de 1740, Tereza ascendeu à liderança no início dos anos 1750, assumindo as rédeas do Quilombo do Piolho, também conhecido como Quilombo do Quariterê. Sob sua notável gestão, a comunidade floresceu, resistindo bravamente às investidas coloniais.
O Quilombo do Quariterê era um exemplo de organização e autossuficiência. Tereza implementou um sistema de parlamento, onde deputados se reuniam semanalmente para tomar decisões sobre a administração do quilombo. A rainha quilombola comandava não apenas a estrutura política e econômica, mas também a administrativa e de defesa do local. A resistência do Quilombo do Piolho perdurou até 1770, quando foi brutalmente destruído.
A população, composta por 79 pessoas negras e 30 indígenas, foi morta ou aprisionada. Apesar do trágico fim do quilombo, a memória de Tereza de Benguela e sua incansável luta por liberdade, justiça e autonomia ecoam até os dias de hoje.
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